Por Reinaldo Adri
Candidatos a governador pisam em ovos na hora de falar sobre Lula e Bolsonaro, pois sabem que o pleito nacional pode sim decidir o local
Por mais que eleitores, candidatos, imprensa e até mesmo alguns analistas políticos tentem negar, o processo de escolha do voto nas eleições presidenciais é quase puramente emocional. Quer dizer que, por mais que a pessoa queira arranjar argumentos racionais para justificar sua escolha, os sentimentos, insatisfações e valores continuam falando mais alto na hora de determinar o número digitado na urna.
Esta verdade nunca esteve tão forte quanto em 2022, quando a polarização ideológica entre os principais candidatos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva está rachando um país em dois e nos fazendo temer pelo acirramento dos ânimos entre os meses de setembro e outubro. Talvez antes e até mesmo depois.
A mesma emoção, contudo, não costuma se repetir nos pleitos locais. A proximidade da população com as ações e decisões dos governantes a nível estadual e municipal faz com que o diversos fatores entrem na conta para a decisão. É uma relação com o candidato menos idealizada, mais pessoal e movida em boa parte pelo interesse. Sendo assim, seria razoável pensar que a escolha para governador seria mais serena. Seria…
Como estamos diante de um cenário eleitoral de grande hostilidade entre campos teoricamente opostos da política, a possibilidade de interferência no cenário local é grande.
O eleitorado sul-mato-grossense, conforme as últimas pesquisas, é mais simpático a Bolsonaro, mas Lula também tem uma força considerável no estado. E cada um dos quatro principais postulantes ao Parque dos Poderes deve calcular bem a estratégia para se posicionar nessa linha entre dois extremos e não ser engolido na reta final.
O ex-governador André Puccinelli, político experiente que é, vem se pautando pela cautela. Mesmo sendo do mesmo partido de outra presidenciável, a senadora Simone Tebet, ele já afirmou ter sido procurado pelas equipes dos dois favoritos e evita tecer críticas tanto a um quanto a outro. Aliás, até distribui afagos quando tem oportunidade.
Já o nome da situação, Eduardo Riedel, está fechado com Bolsonaro e aposta no apoio do presidente como um dos principais trunfos para se eleger em outubro. Vale lembrar que, em 2018, o atual governador Reinaldo Azambuja, teve sucesso no segundo turno contra Odilon de Oliveira porque, entre outras coisas, foi mais eloquente ao declarar seu voto em Bolsonaro.
Por outro lado, em teoria, o ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, deveria caminhar em direção a Lula. Seu partido, o PSD, conversa sobre alianças com o PT em diversos estados, e o PSB, partido que deve compor a chapa, já oficializou Geraldo Alckmin em plano nacional como vice do petista. No entanto, Trad tem ciência da alta rejeição que o nome dele Lula tem entre os seus eleitores, principalmente os evangélicos, boa parte de sua base eleitoral. Em razão disso, vem buscando um tom conciliador e, a princípio, deve optar por neutralidade.
Posição semelhante deve ser a da deputada Rose Modesto. Filiada ao União Brasil, que tem Luciano Bivar como pré-candidato à presidência, ela tem como uma de suas principais apoiadoras a senadora Soraia Thronicke, originária do bolsonarismo. Escolher um lado neste momento não parece estar entre as prioridades de sua campanha.
Decidir quem vai apoiar ou de quem vai receber apoio seria uma escolha mais simples em qualquer outra circunstância. No Brasil que vai às urnas no fim do ano, porém, isso se tornou uma questão de vida ou morte política. Diante do cenário que se desenha, nenhum dos pretensos governadores poderá fugir dessa escolha.






