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13 DE DEZEMBRO, DIA DO MARINHEIRO

Por Francisco Mineiro

Amigo Leitor: no dia 13 de dezembro de cada ano os irmãos da Marinha de Guerra do Brasil comemoram o “Dia do Marinheiro”. Existe outra data festiva tão importante quanto essa para os marujos, é o dia 11 de junho, o “dia da Marinha”.

Mas… não é a mesma coisa?

Não, não é! O 11 de junho, dia da Batalha Naval do Riachuelo, é a efeméride que louva a Instituição Marinha, a veneranda Força Armada, cujas origens remontam a Portugal. Aquela data é marcante por ter sido a mais importante batalha travada por nossa Marinha contra um inimigo estrangeiro.

Já, o 13 de dezembro celebram as pessoas, os homens e mulheres que fazem a Marinha existir. Nenhuma Organização, nenhuma Instituição é o que é! Grande ou pequena, benfazeja ou maléfica, sem o espírito e as ações diuturnas dos seres humanos que a compõem. A altaneira Marinha do Brasil é o que é por conta das pessoas que a formam.

Aquela data festeja o natalício do Patrono da Marinha brasileira, Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré.

Esse gaúcho da cidade de Rio Grande nasceu em 1807. Tinha apenas 15 anos quando se alistou na Armada. No mesmo ano, participou dos combates contra tropas portuguesas pela Independência do Brasil.

Foi matriculado na Academia Imperial, mas o curso de formação de Oficial foi interrompido pela eclosão da rebelião “Confederação do Equador”. Nesta, políticos de vários estados rebelaram-se contra o Governo Imperial, e tentaram fracionar o Brasil. Lá foi o jovem Oficial de Marinha defendendo o novo Império. Pela sua notável atuação nesse conflito, o Imperador D. Pedro I promoveu Marques Lisboa a Segundo Tenente.

Em pouco tempo estava de novo em combate, na Guerra da Cisplatina. Foi nessa conflagração que, com apenas 4 anos de Marinha e 19 de idade, recebeu um navio para comandar a escuna “Constança”. A participação de Tamandaré nesse conflito poderia ser transformada em um cativante filme. Entre outras peripécias, ajudou a salvar 280 tripulantes de uma nau que se partiu ao meio. Mas o mais interessante foi quando, depois de um revés, ele caiu prisioneiro junto com 93 brasileiros. Aprisionado em um navio argentino, conseguiu organizar uma revolta, vencer os carcereiros, driblar a escolta e levar o navio para as linhas brasileiras.

Lisboa lutou em quase todas as rebeliões que explodiram no Brasil após a abdicação: a Cabanagem, a Sabinada, a Guerra dos Farrapos, a Balaiada e a Revolta Praieira. Em todas as ocasiões, seja na contenção de ímpetos de irmãos brasileiros revoltados, seja no enfrentamento de inimigos estrangeiros, caracterizou-se pela humanidade e respeito no trato com os vencidos. Assim como o Duque de Caxias, sempre teve em mente que rebeldes não eram bandidos perversos, mas brasileiros que se desviaram do caminho e deveriam ser atraídos de volta à legalidade.

Em 1860, em face de seu intenso trabalho pela unidade do Império, Dom Pedro II decide conceder-lhe um título nobiliárquico. Lisboa decidiu homenagear a localidade pernambucana de Tamandaré. Foi nesta vila que seu irmão Manoel Marques Lisboa morrera em combate em 1824. O nome “Tamandaré”, daquela vila, é de um personagem do folclore indígena. Seria um pajé que sobreviveu a um dilúvio, e deu origem a todos os tupinambás.

Em 1864, foi nomeado Comandante de todas as forças navais em operação na região do Rio da Prata. Foi nessa condição que participou da Guerra contra Oribe e Rosas. Também comandou as forças navais nos primeiros anos da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai. Foi sob seu comando que o Almirante Barroso obteve a estratégica vitória na Batalha do Riachuelo. Numa época em que o transporte e as comunicações eram quase totalmente por via aquática, a ação da Marinha de Tamandaré foi fundamental para o desenvolvimento da Guerra e a vitória final dos aliados.

Tamandaré exerceu inúmeros cargos de alta importância no Império, inclusive de Ministro, por conta de sua competência e dedicação ao trabalho. Quando eclodiu o levante militar que proclamou a República em 15 de novembro de 1889, manteve seu apoio ao monarca deposto, e só não pegou em armas por determinação do velho Imperador. Reformado pelo governo republicano, Tamandaré era frequentemente visitado por militares de todas as idades e patentes, em busca de seus conselhos e sua experiência de 66 anos e dez meses de serviço e combate.

O almirante Tamandaré faleceu em 1897. A seu pedido, em sua sepultura foi colocada uma pedra com a legenda: “Aqui jaz o velho marinheiro”.

Querido Leitor, que o exemplo do “velho marinheiro” nos lembre sempre a importância de servir ao Brasil. Até a próxima!