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A vida continua

As pessoas estão atualmente tendo uma perspectiva de vida maior. Teoricamente vivendo mais, segundo as estatísticas fundamentadas na ciência. Contudo, na prática a sociedade não se conscientizou deste fato e os
idosos em geral não recebem positivamente o viver mais. A velhice passa a ser um estigma por vários fatores.

Para as famílias o convívio nem sempre é receptivo e acolhedor. Os mais jovens não tem condições de prover os mais velhos com atenção e os cuidados que a idade demanda, desde o convívio social, a saúde física e emocional, para não mencionar a afetividade. Os que possuem recursos financeiros, são constrangidos pelas mensalidades dos planos de saúde sempre crescentes a cada aniversário, sem cobertura para serviços tão necessários como a psicoterapia, entre outros. Por sua vez, seus recursos financeiros passam a ser administrados pelos familiares, utilizados muitas
vezes para outros fins e não mais para si próprios.

As instituições particulares que recebem idosos, não são acessíveis para todos em razão de seu alto custo e a contratação de um cuidador doméstico, cuja profissão até o momento não foi regulamentada, deixa quase sempre a desejar, por falta de capacitação profissional. Para esta fatia da sociedade cada vez mais dependente e excluída a alternativa são asilos e abrigos, instituições do terceiro setor, com trabalho
voluntário e solidário que as políticas públicas denominam: Instituição de Longa Permanência para Idosos – Segundo a Constituição Federal e o Estatuto do Idoso, merecem obter do Poder Público o apoio institucional necessário, para em substituição a família e em parceria com a sociedade organizada conceder a esta faixa etária do seu público alvo, vida digna, com assistência e garantia a todos os direitos do cidadão. Os desafios são grandes em razão do preconceito social e da falta de conscientização do poder público que não valoriza os inestimáveis serviços prestados pelo voluntariado e não considera estas instituições como valiosas parceiras dos serviços oficiais, que não possuem perfil adequado para realiza-los com dedicação além de eficácia. Muitos projetos que poderiam garantir a auto suficiência destas instituições, são inviabilizados por falta de apoio, excessos burocráticos e exigências fora do
contexto local. Assim quando temos a satisfação de visitar uma instituição que por 98 anos de existência cuida de idosos, e verificamos as condições de habitabilidade, a alegria e descontração naturalmente demonstradas pelos
asilados com os quais tivemos contato, renovamos nossa esperança de que outras congêneres possam atingir o mesmo nível de eficiência desde que tenham: visão, gestão, apoio institucional público e da iniciativa privada,
conscientes,, sensíveis e eficazes. Estamos nos referindo ao Asilo S. João Bosco, patrimônio material e imaterial da capital de MS, Campo Grande. Com sede ampla, dotada de edificações confortáveis, com acessibilidade, pátios
2 arborizados garantindo um invejável micro clima no espaço urbano. Uma horta garantindo auto suficiência alimentar quanto a verduras e legumes, equipamentos próprios para cozinha, refeitório, lavanderia e outras demandas. Amplos quartos com banheiros, salas de lazer, uma capela onde com certeza as irmãs residentes intercedem a Deus com orações por todos.

A Diretoria, tem como seu presidente atual, Gersino José dos Anjos. Uma equipe multidisciplinar de profissionais e funcionários recebe da Superintendente Cleo Shama todas as orientações técnicas necessárias que somente uma liderança muito eficaz atinge o êxito desejável e o nível de eficiência que a instituição atualmente demonstra. Claro que nestas nove décadas de existência, muitos foram os desafios e problemas enfrentados e vencidos pelos eméritos associados, dirigentes, voluntários, doadores e apoiadores públicos e da iniciativa privada. Mas cumprindo seu slogan: a vida continua, com certeza o Asilo São João Bosco, continua e continuará oferecendo esta inestimável oportunidade aos seus hóspedes: viver feliz a derradeira etapa de suas vidas,
aqui e agora.

Por Vera Tyld

Foto: Divulgação