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Bonito…tem custo ou tem valor?

Por Silvia Schmidt

Já sei, vão pensar – lá vem ela, demorou a falar sobre Bonito!!

Relaxa, eu também pensei assim!

Mas como sou da terra (só não nasci em Bonito pois não tínhamos médico naquela época) e filha de um casal que chegou na década de 60 e participou ativamente no desenvolvimento da cidade – não poderia me calar sobre algumas máximas que ouço sobre nossa pequena grande cidade.

Então resolvi escrever de uma forma até didática sobre nosso sistema de gestão do turismo, espero poder esclarecer algumas dúvidas e fazer que o leitor nos olhe com outros olhos.

Bonito é lindo de ser ver, de conhecer, de se viver (trânsito e segurança de Cidade pequena e ritmo de cidade grande) –  desde o início da exploração das atividades turísticas percebeu-se a fragilidade desse ambiente, uma nascente de água é como um vaso de cristal finíssimo – qualquer movimento brusco pode causar um dano irreparável, assim, com muita responsabilidade, os agentes envolvidos se uniram e criarammecanismos (que são levadosmuito a sério – vide Voucher único) para garantir  a correta exploração e sobrevivência no tempo.

Escrevi inicialmente com dados técnicos e legais, mas achei muito chato e resolvi – literalmente –chutar o balde e colocar às claras a situação.

Bonito é mais caro que praia, tudo tem que pagar.

Sim, é verdade… Primeiro que 45 dos 47 atrativos estão em propriedades privadas, mas pergunto, para você ir à praia alguém tem que fazer um plano de manejo, de conservação, conseguir uma licença ambiental, implantar as ações, montar uma estrutura física, adquirir equipamentos para a atividade, equipamentos de proteção -levar equipe diariamente para o trabalho, além é claro do custo de divulgação.

Em Bonito sim, todos os atrativos só operam se fizerem isso.

Qual praia os Guias de turismo precisam ter um curso de 2 anos e realizarem reciclagens periódicas – primeiros socorros inclusive.

Em Bonito sim, para o credenciamento do guia ele passa por tudo isso.

Então caro leitor, desde o início da atividade turística na cidade houve um grande preocupação com conservação e para isso foi criado em 1995 o Voucher Único(IN 01/95 do Conselho Municipal de Turismo) um instrumento para organizar a atividade turística,  estabelecendo padrões exploratórios de atrativos, até hoje são 28 anos, ordenando toda a atividade turística, servindo se exemplo de organização para vários destinos brasileiros, reconhecido em 2013 em Londres, pela WTM, com prêmio World Responsible Tourism Award.

A emissão do voucher é feitapor uma agência de turismo local, devidamente cadastrada na Prefeitura Municipal de Bonito-MS, e que tem acesso as agendas dos atrativos e organizarem as reservas.

Com o voucher na mão o turista vai até o passeio, o guia só ira receber seu trabalho feito aos turistas que constaram no voucher, ou seja, ninguém atende “por fora”.

Tudo é bem amarrado, todo mundo ganha, o atrativo, a agência, o guia, a prefeitura que recebe o imposto sobre serviço de cada voucher, mas de verdade quem ganha mesmo.

Todos nós, que como eu, levei minha filha para fazer uma flutuação há 23 anos e hoje levo minha neta, e está mais lindo ainda o lugar!

Preservação tem custo, não dá para jogar esse custo nas costas de “alguém”.

Entenda, não é frescura, não é abuso, manter um meio-ambiente como o que temos em Bonito, preservado, oferecer uma experiência aos turistas, com guias treinados, equipamentos de qualidade, com segurança… NÃO TEM PREÇO…TEM VALOR

Ah, mas se não existisse esse tal Voucher seria mais barato – cada um iria direto ao local e não precisaria toda essa confusão –

Provavelmente…. Mas será que que ainda teríamos locais para visitar?

Silvia Schmidt

 

 

 

 

Foto: Divulgação