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Daisaku Ikeda e Ryoichi Kodama em ‘Sol e Terra: Sinfonia do Desbravador’

Em 2008, por ocasião da comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, foi lançado – pela Ed. Brasil Seikyo – o livro Sol e Terra: Sinfonia do Desbravador, obra que traz a seguinte sinopse: “história de vida de Ryoichi Kodama (1895-1989), um dos 781 imigrantes japoneses que desembarcaram no porto de Santos em 1908, contada por ele num diálogo realizado em 1988 com Daisaku Ikeda no Japão. Kodama relata suas aventuras, tristezas e alegrias ao desbravar as terras brasileiras ao mesmo tempo em que desbravava a própria vida”. Este emblemático livro teve sua 1ª edição publicada em língua japonesa em 1991. No prefácio, escreveu Ikeda: “Até agora vim publicando diálogos com intelectuais de renome mundial… Da mesma forma, acreditando também que é igualmente importante registrar o testemunho da história por um nobre cidadão comum, tal como Kodama, que serviu de ponte de amizade e de paz entre o Brasil e o Japão, idealizei a publicação deste diálogo”.

Ryoichi Kodama nasceu no Japão, em 1895, na vila chamada Tsutani, que depois originou a cidade de Toyohira, em Hiroshima. Aos 13 anos de idade embarcou, no dia 28.04.1908, no Porto de Kobe, como agregado de uma família de emigrantes, no navio Kasato-maru, que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses (781) para o Brasil. Após 52 dias de viagem, aportou em Santos/SP, no dia 18 de junho de 1908 – esta data foi considerada mais tarde no Japão como “Dia da Emigração para o Exterior”.

Daisaku Ikeda é consagrado escritor japonês, humanista, filósofo, líder budista e pacifista mundial. Nasceu em Tóquio no Japão, em 2 de janeiro de 1928. Presidente da Soka Gakkai Internacional, associação budista que promove a paz, a cultura e a educação, ele escreveu vários livros, publicados em diversos idiomas. Comemorou recentemente 93 anos de idade – destes, 73 dedicados à paz mundial, promovendo realizações neste sublime campo. Membro correspondente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, residente no Japão e uma das mais insignes celebridades mundiais, Ikeda é fundador do Instituto de Filosofia Oriental, do Museu de Arte Fuji de Tóquio, do Centro de Pesquisas para o Século 21 – de Boston, da Universidade Soka da América nos EUA. Ostenta inúmeras premiações internacionais, inclusive no Brasil. Palestrante e conferencista, proferiu em 1993 na Academia Brasileira de Letras (da qual também é membro correspondente), a palestra “A Alvorada de Esperanças da Civilização Universal”. Possui mais de duas centenas de Títulos Acadêmicos de diversas Universidades do mundo, inclusive brasileiras.

Em 2010, recebemos na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras uma visita de integrantes da Organização SGI-Campo Grande, que explanaram acerca do perfil admirável de Daisaku Ikeda, cuja obra, bem como suas ações, eu já conhecia através da imprensa. Após novas reuniões e ao ampliarmos as informações sobre as suas qualidades literárias e elogiáveis atividades, o seu nome foi sugerido e apresentado para membro correspondente da ASL. E, assim, após trâmite específico, ele foi eleito por unanimidade, tendo sido empossado na noite de 18/11/2010, em sessão magna que fez parte das comemorações dos 39 anos (à época) da ASL. Nesta solenidade, eu disse, num trecho do meu discurso de saudação: “Este Diploma outorgado pela nossa Academia nesta noite, por merecimento, a Daisaku Ikeda, configura-se em mais um dos autênticos elos entre este insigne humanista e o Mato Grosso do Sul, vez que já ostenta os relevantes Títulos de Cidadão Sul-Mato-Grossense, Cidadão Campo-Grandense, Sidrolandense, Jardinense e Maracajuense, além de Doutor Honoris Causa da UFMS. E agora vem o reconhecimento acadêmico desta Casa estadual de Letras, por tudo que ele tem feito também em prol da Cultura, da Literatura e da Educação, produzindo obras aplaudidas em todo o mundo, e sendo um pertinaz defensor da beleza que vem do reino da essência”.  Na ocasião, eu dediquei a Ikeda o meu ‘Poema da Paz’, que termina assim: “Que possamos transformar / a cal do nosso individualismo / em estruturas que edificarão o templo eterno da virtude… / … Que jamais penetre em nossa morada / a desarmonia. / Que o nosso pulsar de primazia não seja fugaz. / E que a luta nossa / nossa eterna luta / seja sempre a Paz!”.

 

 Rubenio Marcelo – Poeta, escritor e compositor