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Em novo livro, Marcos Estevão conta Crônicas & Contos

Por Rubenio Marcelo

Foi um memorável lançamento literário do escritor e médico Marcos Estevão dos Santos Moura, que chegou recentemente com seu novo livro (de crônicas e contos): Um Vivo Entre os Mortos. O evento concorridíssimo, na Katarina Coffee & Tea, foi deveras prestigiado por um público fiel ao autor, marcando culturalmente a noite campo-grandense.

Tive a honra de escrever a Apresentação deste excelente livro em que, em estilo enxuto e sugestivo, Marcos Estevão concebe panoramas que avizinham a ficção da realidade, situações que aproximam o anímico do palpável, paisagens que achegam a quimera rotineira da razão eventual, cenas e cenários que evidenciam os distintivos consonantes de texto e contexto nas sendas da coloquialidade.

Ademais, há também neste volume uma certa e marcante dosagem de humor sutil e de ironia, tudo em expressão narratológica bem concatenada e envolvente. A obra possui enredos ancorados em locus diversos e em múltiplas experiências/criatividades compendiando crônicas e contos num harmonioso repertório de textos elaborados com vigor descritivo, fruição e originalidade nas searas fecundas do real e do imaginário, sendo que todo transcurso é feito dentro de competente técnica, à medida que mescla temas variados e mensagens proporcionando deleite e reflexões que nos ficam além do momento da leitura.

À luz daquela assertiva de Abraham Moles que assegura: “a ficção é a melhor intérprete da realidade quando a realidade é, por qualquer razão, inacessível”, as narrativas de Marcos Estevão sintonizam-se com dinâmicos personagens, ações e acontecimentos do cotidiano que – de certa forma, aqui e acolá – refletem também aspectos do seu mister profissional e reminiscências pessoais: nestes casos a imagem biográfica autoral marca presença com clareza.

Nos consistentes relatos, criações e recriações deste autor, há sempre – além da linguagem acessível – um toque significativo (especial apuro artístico no ato de narrar), qual peculiar estratégia textual que gera espontâneo engajamento e seduz naturalmente os leitores, quer pela dádiva meditativa, quer pelas percepções da suprarrealidade, ou pelas eventuais roupagens pitorescas. “Alma humana”, que abre o livro com chave de ouro, já de cara demarca a excelência do perfil geral da publicação: tecendo o seu eixo narrativo ambientado em tempo recente, esta crônica aborda temas como a pandemia e a política ideológica (conflitos existenciais) para nos fazer refletir acerca da condição do ser humano, este ser que é capaz de tudo: até de ser humano. Esta temática (pandemia) é explorada novamente em “O Santo guerreiro”, “Somos Eleitores” e “Que onda é esta?”, além de “Minha especialidade é outra”, texto que evoca a covid-19, num diálogo (narrador/personagens) que impregna de leveza a seriedade do trágico.

Outrossim, como já mencionado acima, vale-se ressaltar composições em tom hilariante – curiosas situações acontecidas ou supostamente acontecidas – que nos fazem palmilhar as plataformas inconvencionais da espirituosidade, como, verbi gratia: “Mentiroso”, “Não esqueça que pode piorar”, “Promessa é dívida”, e “Um vivo entre os mortos”.

Enfim, a fidedignidade estética da artesania do manejo de ideias/palavras contadas pelo autor confere consistência ao ótimo conjunto textual do livro. Vale a pena conferir!

Rubenio Marcelo, poeta , escritor e compositor.

 

 

 

 

Foto: Divulgação