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História Militar

Por Francisco Mineiro

Caro Leitor:

Nesta coluna sobre História Militar tenho tratado de pessoas e acontecimentos. Ocasionalmente, de tecnologia e política. Vamos tratar hoje de armamento, algo que é parte inseparável da atividade militar, desde sempre.

A mais poderosa arma já desenvolvida pelo homem, acredito que o Leitor já saiba, é a bomba atômica. Mas o que é essa arma? Poderia mesmo uma guerra com armas atômicas acabar com nossa frágil espécie?

A bomba atômica foi desenvolvida por cientistas norte-americanos no denominado “projeto Manhattan”, durante a 2ª Guerra Mundial. O artefato utiliza as propriedades de materiais radioativos, como urânio e plutônio, produzindo uma reação a nível subatômico, que transforma matéria em energia. O resultado é uma explosão de dimensões extraordinárias.

Quão extraordinárias? Veja só, caro Leitor: o explosivo militar padrão é o TNT, ou trinitrotolueno. Uma granada de canhão com um quilo de TNT destrói uma casa, ou mata quem estiver num raio de 30 metros. A potência das bombas atômicas é medida comparando-se sua força explosiva com o peso equivalente em TNT. Um “quiloton”, palavra que aparece em textos sobre armas atômicas, quer dizer mil toneladas, ou um milhão de quilos, de TNT. Um megaton significa um bilhão de quilos do explosivo.

Em 06 de agosto de 1945 uma bomba foi atirada sobre a cidade japonesa de Hiroshima. Causou uma explosão equivalente a 16 quilotons, explodindo a 580 metros acima do solo.

Um pulso de luz e calor vaporizou instantaneamente as pessoas mais próximas, incinerou outras e causou queimaduras horríveis empessoas a 2 quilômetros do ponto abaixo da explosão, o “ponto zero”. A onda de choque resultante reduziu a pó e matou tudo num raio de 350 metros, e derrubou prédios a 1.700 metros. Ao mesmo tempo, feixes radioativos espalharam-se, matando e contaminando pessoas e coisas.

A brutal onda de choque levantou uma imensa nuvem de vapor, cinzas e detritos com quinze quilômetros de altura. O material espalhado na atmosfera caiu como uma chuva de cinzas extremamente radioativas, cobrindo dezenas de quilômetros em torno da cidade.

Oitenta mil pessoas morreram numa fração de segundo. Outras 150.000 morreram no mesmo dia pelos ferimentos, queimaduras, incêndios e desabamentos. Nos dias seguintes, mais mortes pela radiação. Meses e anos depois, as pessoas desenvolveram vários tipos de câncer, decorrentes da exposição á radiação, tanto da explosão, quanto das cinzas radioativas. Além de câncer, a radiação causou o nascimento de crianças com malformações genéticas.

Tem mais: descobriu-se depois que as explosões geram um pulso eletromagnético que destrói tudo o que for eletrônico em quilômetros: rádios, computadores, equipos médicos…

Nagasaki, agosto de 1945, a segunda cidade a sofrer um bombardeio atômico. Somente cinzas e entulho onde era um bairro populoso…

Então, caro leitor, a “bomba atômica” não é uma simples arma. É um pesadelo infernal materializado. Os efeitos descritos acima são da bomba de Hiroshima. Mas foram desenvolvidas bombas muito mais potentes, algumas delas instaladas em mísseis ou aviões.

A quantidade de armas nucleares que cada país tem é segredo de Estado. Mas estima-se que Estados Unidos e Rússia tenham acima de 6.000 armas atômicas cada. Outras centenas de armas estariam na França, Inglaterra, Índia, China, Paquistão e, possivelmente, Coreia do Norte. Então, realmente há armas suficientes para exterminar a humanidade. Várias vezes.

Entre o fim da 2ª Guerra, em 1945, e o fim da União Soviética, por volta de 1990, o mundo viveu o risco real de uma guerra entre os dois blocos, o capitalista e o comunista. Foi a “Guerra Fria”. O nome deveu-se a que nunca tropas dos Estados Unidos e União Soviética chegaram a lutar frente a frente. Mas inúmeras guerras aconteceram entre países e organizações apoiados pelos dois. E a guerra ideológica foi feroz, com os países buscando convencer o mundo da vantagem de cada um dos sistemas político-sociais. Essa guerra ideológica tem sequelas até hoje, com a triste perspectiva de durar gerações.

Muitos analistas defendem a ideia de que o elemento que evitou uma guerra direta entre as duas superpotências foi exatamente A BOMBA. Se um deles desencadeasse um ataque atômico contra o outro, a resposta seria igualmente devastadora. Era a política da “Destruição Mútua Assegurada”. Acredite, essa expressão absurda era usada. A humanidade viveu décadas sob o risco real de aniquilação. Hoje, o risco é que terroristas, com motivação política ou religiosa, usem armas atômicas para destruir cidades inteiras. Matariam milhões de pessoas e destruiriam inimaginável patrimônio, na tentativa de provar que suas ideias são corretas…

É triste pensar que a mesma Humanidade que criou a Nona Sinfonia e o Taj Mahal, a fotografia e as vacinas, a agricultura e a Internet, a Caridade e a roda, tenha criado algo capaz do extermínio da própria espécie. Mas é a realidade….

Até a próxima, amigos.