Por Francisco Mineiro
Quando se lê sobre a História, alguns militares acabam se ressaltando. São homens cujos atos guerreiros impactaram a vida de milhões, moveram fronteiras e alteraram a História. Talvez o mais emblemático seja Napoleão Bonaparte. Sua biografia é única na História assemelha-se à de um personagem de seriado de aventuras…
Para começar, o maior herói da França não era exatamente francês, mas de uma família italiana na Córsega. Essa ilha havia sido conquistada pelo França menos de um ano antes daqueles 15 de agosto de 1769 no qual ele nasceu sendo batizado Napoleone di Buonaparte
Com apenas nove anos, saiu de casa para estudar numa escola religiosa na França. Veja só: um dos grandes Generais da História poderia ter sido padre! Em meses, ele transferiu-se para uma Academia Militar. Foi aos dez anos que aprendeu francês, pois só falava corso e italiano. Foi o primeiro corso a formar-se oficial na Ècole Militaire francesa. Aos 16, era Tenente de Artilharia.
Em 14 de julho de 1789 eclodiu a Revolução Francesa, que mudou a França e influenciou o mundo. O processo revolucionário não durou apenas um dia. Foram dez anos de instabilidade, com guerra externa e lutas internas entre grupos revolucionários. Napoleão mostrou competência extraordinária nos combates, e foi rapidamente promovido, chegando a General com apenas 24 anos. Mas, com as instabilidades do período, chegou a ser preso numa ocasião, e a perder o posto em outra. Sua eficiência fez com que fosse chamado novamente a comandar.
As ideias libertárias da Revolução Francesa eram vistas como uma ameaça por monarcas dos países europeus. A execução do Rei francês Luís XVI foi o estopim para que uma coligação de reinos vizinhos preparasse uma guerra contra a França – que atacou primeiro, em abril de 1792. Napoleão destacou-se em sucessivas vitórias, e foi o responsável pelas conquistas francesas na península italiana. As estratégias e ideias de Bonaparte são estudadas até hoje nas escolas militares de todo o mundo, e sua liderança sobre os soldados era vista como sobre-humana.
Ele capitalizou suas vitórias militares em poder político e, em novembro de 1799, aplicou um golpe de Estado, assumindo governo da França como “Primeiro Cônsul”. Foi o fim das lutas internas. Em 1804coroou-se Imperador da França. Que ironia: a Revolução que fora desencadeada para acabar com a monarquia absoluta… levou a França a ter um Imperador.
Sob a liderança de Bonaparte, a França derrotou cinco coalizões de países, e expandiu seu domínio. Napoleão derrubou vários reis, colocando aliados e familiares em seu lugar. Por exemplo, seu irmão José Bonaparte foi Rei da Espanha de 1808 a 1813.
A tentativa de invadir a Rússia em 1812 desgastou o Exército de Napoleão, e uma sexta coalizão de países aproveitou a situação conseguiu derrotar os franceses. Napoleão deixou o governo em abril de 1814, sendo sucedido por Luís XVIII, irmão do Rei deposto. Os inimigos exilaram Bonaparte na ilha de Elba, no Mediterrâneo. Em fevereiro de 1815, ele evadiu-se da ilha com um grupo de 700 homens e retornou à França. As tropas enviadas para detê-lo aderiram a ele. Mais e mais franceses se uniram em sua marcha para Paris, e Napoleão voltou a governar a França. Ingleses e prussianos organizaram uma sétima coalizão, ao mesmo tempo em que grupos internos e uma parcela do povo mostravam-se insatisfeitos com Bonaparte. Após a Batalha de Waterloo, em junho de 1815, Napoleão rendeu-se. Foi novamente exilado, agora na distante e insalubre ilha de Santa Helena. Deixou o poder aos 45 anos de idade e quinze de governo. Faleceu seis anos depois, a 5 de maio de 1821.
Sua derrota em 1815 resultou no Congresso de Viena, a demorada assembleia de Reis e governantes que redesenhou o mapa da Europa e dos países colonizados por europeus.
Além de gênio militar, Bonaparte era um administrador extraordinário, trazendo mudanças positivas tanto na França quanto nos territórios ocupados. Organizou reformas políticas e administrativas liberais; implantou sistemas de estradas e redes de saneamento; reformou o ensino, tornando-o mais democrático; criou o Banco Central; oficializou a tolerância religiosa e eliminou os “tribunais” religiosos; estabeleceu o conceito de igualdade de todos perante a lei; deu liberdade de empreendimento, extinguindo as corporações e guildas. Acima de tudo, Napoleão Bonaparte criou o conjunto de leis denominado “Código Napoleônico”, que até nossos dias é à base da legislação de dezenas de países. Esse código garantiu os direitos civis, inclusive de propriedade, base da prosperidade nos séculos que se seguiram.
Nós, brasileiros, devemos a ele a fuga da Família Real portuguesa ao Brasil em 1808, ato que deu início ao processo da Independência do Brasil.
Controverso, polêmico, benfeitor de povos ou conquistador ambicioso e despótico, com apenas duzentos anos passados de sua morte, talvez ainda seja cedo para avaliar essa figura. Mas temos muito a aprender com sua curta e produtiva vida.
Até a próxima.
Foto: Divulgação
Legenda da imagem: Retrato de Napoleão em 1812, pintado por Jaques-Louis David.






