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O lado bom da vida

No perfil Virei Mommy, a campo-grandense Kerelin Nantes conta de forma bem-humorada o desafio de ser mãe de quatro meninas

Se as redes sociais são ambientes por vezes tóxicos, repletos de fofocas, polarizações ideológicas e conteúdo desagregador, elas também nos proporcionam diversos aprendizados e, claro, muitas cenas fofas, repletas de ternura e que despertam o que há de melhor no ser humano. Um dos melhores exemplos deste bom uso é o perfil Virei Mommy, criado pela influenciadora campo-grandense Kerelin Nantes.

Hoje, ele já conta com mais de 120 mil seguidores no Instagram, quase 50 mil no YouTube e a incrível marca de mais de um milhão no TikTok. Todas essas pessoas são atraídas com certeza por curiosidade, seja por questões envolvendo a experiência materna – Kerelin é mãe de quatro filhas pequenas (Evie, Alana, Brenda e Claire), sendo as mais novas trigêmeas idênticas, algo que só ocorre uma vez a cada 200 milhões de nascimentos, aproximadamente – ou pelo estilo de vida, já que ela mora nos EUA com as crianças e com o marido Wallace, numa atmosfera que lembra um pouco os filmes americanos. Mas, mais do que tudo, o que realmente cativa os milhares de seguidores do Virei Mommy, além do bom humor presente nos vídeos, é uma coisa que seu conteúdo tem de sobra: amor.

Kerelin concedeu uma entrevista à Destaque em que falou da sua história de vida, a maternidade, a criação do perfil e o sucesso nas redes. E para quem ficar curioso e quiser saber ainda mais sobre a história dela a da família, basta visitar o @vireimommy. Lá, além dos episódios cotidianos com as pequenas, ela também compartilha bastante de sua experiência e trajetória de vida.

1)    Conte para nós um pouco da sua história

Nasci e cresci em Campo Grande, sendo a mais velha de um casal com duas filhas. Aos 15 anos, comecei a fazer alguns trabalhos como modelo e, aos 18, fui para São Paulo trabalhar como modelo profissional. Fiz diversos trabalhos e fechei contratos internacionais em lugares como Milão, Hong Kong, Cingapura, Malásia e algumas cidades na China.

Aos 22, decidi deixar a carreira e me dedicar aos estudos. Retornei para Campo Grande, me formei em Relações Internacionais e me casei com meu primeiro e único namorado, Wallace. Após um ano de casados, decidimos morar fora do país e nos mudamos para Dublin na Irlanda, onde ficamos por três anos, até que decidimos nos mudar para os Estados Unidos.

2)    Como foi o processo de criação do Virei Mommy: de onde surgiu a ideia?

O Virei Mommy surgiu com minha primeira gestação. Pelo fato de estarmos longe da família e da maioria dos amigos, ter um perfil no Instagram com esse tema era uma forma de compartilhar um pouco dessa fase das nossas vidas. Nessa época já morávamos em Nova York, ou seja, estava naquele momento literalmente “virando a mommy” da nossa bebê americana, embora até hoje eu não abra mão de ser chamada de “mamãe”.

A ideia sempre foi registrar todo o crescimento, aprendizado e descobertas obtidas com a maternidade e o desenvolvimento da Evie, nossa primeira filha. Porém, logo que ela completou 11 meses decidimos tentar nosso segundo e último filho. Não demorou muito e logo engravidamos novamente, mas dessa vez veio a notícia de que eram trigêmeas univitelinas. Isso nos deixou bastante apreensivos pelo risco para minha saúde, das bebês e pelo fato de estarmos longe dos familiares e sem qualquer rede de apoio.

Logo no início da gestação das trigêmeas, comecei a compartilhar tudo o que estávamos passando, sequer esperei completar as tais 12 semanas iniciais recomendadas pelos médicos. Eu sentia que era um peso grande demais para carregarmos sozinhos e que compartilhando ali estaríamos dividindo um pouco essa carga. As primeiras postagens sobre o assunto eram de bastante temor, justamente o que estávamos sentindo naquele momento. Mas à medida que íamos nos acostumando com a ideia e percebendo Deus nos cuidando e abençoando tão grandemente, fomos mudando a forma de encarar a situação e passando a enxergar tudo com muito mais esperança. O perfil funcionou como uma válvula de escape e um desabafo, em que pude dividir um pouco dos temores e desafios trazidos por uma gestação de altíssimo risco e, também, conhecer outros casos semelhantes e que estavam sendo bem-sucedidos apesar de todas as dificuldades.

3)     O Virei Mommy hoje é um hobby ou já virou profissão?

Com o tempo, o Virei Mommy deixou de ser apenas um hobby e uma forma de terapia e passou a se tornar profissão. Hoje, já termos uma equipe composta de cinco pessoas que participam dos principais processos de planejamento e produção dos vídeos. As ideias ocorrem de forma bastante natural, conforme nossa rotina, as fases que estamos vivendo e através do feedback que recebemos dos próprios inscritos no canal. Uma preocupação que sempre temos é, além de mostrar os bastidores da nossa vida, trazer um conteúdo relevante somado ao aprendizado obtido por nossas próprias experiências, mostrando que todos podem superar seus desafios com a maternidade de forma leve e divertida.

5)    Você imaginava que iria ter um público tão grande?

Nunca imaginei que teria um público desse tamanho! Nosso público foi crescendo de forma totalmente orgânica e muito natural. Muitas das pessoas que nos seguem fazem questão de deixar nos comentários que estão ali porque gostam realmente de nos acompanhar, o que é muito gratificante. É até difícil ter a real noção do alcance e da influência que as nossas publicações têm na vida das pessoas que nos seguem. Eu posso perceber pelas mensagens que recebo e quando encontro com alguns seguidores na rua.

6)    O que você acha que mais fascina seu público?

Acredito que seja um conjunto de aspectos. O fato raro de termos trigêmeas idênticas e morarmos fora deve ajudar, mas acho que a forma como vivemos, nos relacionamos e encaramos as coisas, sempre com muita autenticidade, tranquilidade e confiança em Deus, mesmo em meio a nossa rotina tão agitada, com certeza influenciou esse resultado tão positivo. Percebo que o fato de não tentar romantizar a maternidade, mas mostrar as dificuldades que enfrentamos faz com que as pessoas se identifiquem. Sempre busco ver as coisas com humor, paciência e leveza, e transmitir isso focando na superação e no quanto é importante aproveitarmos cada fase dos nossos filhos.

7)    O que mais satisfaz e mais desagrada na relação com a sua audiência?

Eu amo muito o carinho que recebemos do público! Não tenho palavras para agradecer cada mensagem tão sincera e cheia de amor que recebo diariamente. Queria muito conseguir responder todas, mas muitas vezes não consigo. Também amo é saber que, através do que eu compartilho da nossa vida, outras mães também são ajudadas de alguma forma. Recebo muitas mensagem dizendo: “Nossa, me ajudou muito ver seu dia a dia, porque eu reclamava cuidando só de um filho e agora vejo a sua correria cuidando sozinha das quatro meninas e isso me acalma, me conforta”; “vocês me trazem paz, tranquilidade”; “a forma com que você lida com a maternidade me fez bem”;  desde que te conheci passei a enxergar a maternidade com outros olhos”; “se você consegue, eu também consigo, vamos juntas nessa” etc… Receber mensagens assim é muito gratificante e elas me motivam a continuar!

Quanto aos haters, confesso que nem dou muita atenção. Infelizmente, eles existem e de vez em quando aparecem com algum comentário maldoso, seja intencional ou só sem noção mesmo, mas eu tento nem ligar. Sei que isso faz parte, a desvantagem de estar com a vida exposta. Só não deixo e não quero que esses comentários negativos cheguem até as minhas filhas.

8)    Vocês têm planos de voltar ao Brasil para visitar ou morar? Planejam vir a Campo Grande no futuro?

Campo Grande é a nossa casa. A nossa família quase toda é da cidade, então temos sim o desejo muito grande de voltar e visitar todo mundo, além de apresentar nossas filhas para muitos dos que ainda nem as conhecem. Para isso, esperamos passar essa pandemia e nos prepararmos bem financeiramente, afinal não somos mais uma família pequena.

Por Reinaldo Adri