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Psicose: o sessentão ainda dá medo

Por Reinaldo Adri

Neste ano, mais precisamente no mês de agosto, um filme que marcou a história do cinema completa 62 anos de lançamento. Apesar de tanto tempo depois de seu lançamento, ele é lembrado constantemente pelos amantes da sétima arte. Afinal, quem nunca ouviu falar de Psicose, de Alfred Hitchcock?

Com certeza, a primeira coisa que vem à mente quando falamos em Psicose, é clássica cena da morte Marion Crane (Janet Leigh) no chuveiro. Para essa cena, foram usados mais de 70 ângulos diferentes de câmera para rodar 40 segundos de filme. Aliás, essa é a tônica da obra: a tensão gerada pelos cortes bruscos e pela trilha sonora ao mesmo tempo envolvente e assustadora. Não foi preciso grandes efeitos especiais para impressionar quem assistiu.

A trama em si também é fascinante, e o desfecho da história frequentemente é eleito como um dos melhores de todos os tempos. Talvez apenas O Sexto Sentido, de 1999, tenha um final tão surpreendente quanto.

O diretor ousou querendo ser conservador, pois, fez um filme em preto e branco quando já eram normais as produções coloridas. Na verdade, Hitchcock temia que o filme ficasse muito chocante ao mostrar o vermelho do sangue esparramado. Com o filme em duas cores, pode ser usado caldo de chocolate para fazer a cena do assassinato no chuveiro. Essa mesma cena demorou sete dias para ser filmada.

Assim como em todos os filmes de Hitchcock, o diretor também fez uma aparição, como figurante, usando chapéu de caubói do lado de fora de uma loja. Quem for mais atento, verá. Isso era também um chamariz para a produção, já que ele normalmente era mais popular que os atores que contracenavam inclusive cabendo ao próprio fazer a divulgação do filme.

Certo é que, ainda hoje, Psicose é referência de muitos filmes do gênero suspense, e muitos dos por ele influenciados não conseguiram assustar tanto, mesmo usando a últimas tecnologias em produção.

O filme ganhou remake e duas continuações sofríveis, mas a história ressurgiu na última década com a brilhante séria Bates Motel, que conta detalhe da relação de Norman com sua mãe Norma.