No passado recente, as escolas ministravam aulas de boas maneiras, etiqueta social e civismo. Noções de como conviver civilizadamente em sociedade. As famílias através das mães, tias e avós que não trabalhavam fora e conviviam com as crianças, reforçavam em casa estes conceitos tão úteis para uma convivência social fraterna e tolerante durante toda a vida.
Quando meus sobrinhos eram pequenos, eu propunha um concurso para ver quem seria o campeão em boas maneiras na mesa, na hora das refeições. Na apuração, premiava a todos, como forma de estimulá-los a se portarem bem à mesa, o que foi notado em um restaurante, por um amigo de meu pai, que veio parabenizá-lo pelos netos tão pequenos e tão educados à mesa. Para eles, que tudo assistiam o melhor prêmio recebido pelo esforço em se portarem bem à mesa e no convívio social.
Mas também me lembro, que propondo voluntariamente dar aulas de etiqueta em um seminário teológico, meu oferecimento foi recusado sob a alegação de que os conteúdos das aulas eram dispensáveis por se tratarem de futilidades… novos tempos, onde os bons modos são descartados, nem mesmo úteis na vida eclesiástica e profissional em geral.
Atualmente, no mundo digital o radicalismo político partidário, religioso, de temas considerados politicamente corretos, a ausência de boas maneiras, etiqueta social e civismo é geral, com raríssimas demonstrações de elegância, legítimo patriotismo, tolerância e respeito ao próximo. Nos grupos das redes sociais, uma guerra declarada, com ofensas, violência verbal, agressões gratuitas cometidas a todo instante, como sinal de discordância de opiniões. No mundo real a situação é a mesma. Basta observar as famílias e amigos nos restaurantes, eventos, igrejas e outras ocasiões de convivência. O celular inseparável substitui o diálogo e a presença do outro, ou outros é desconsiderada. Assuntos são interrompidos ou escutados parcialmente pois o principal interlocutor é o celular…
O resultado desta contemporânea postura está evidente na presença de ofensas pessoais, das amizades desfeitas, dos palavrões não mais censurados, hoje parte do vocabulário usual, das agressões físicas, dos homicídios e feminicídios cruéis por motivos fúteis. Ser educado é até motivo de bulling nas escolas e entre os adultos sinal de alienação, covardia, debilidade e fraqueza.
Neste contexto a pandemia não tem sido um instrumento de reflexão e motivação para uma alteração positiva de conduta coletiva. O por favor, com licença, me desculpe, obrigado, bênção, são frases e palavras em desuso. E com o extermínio em massa pela covid 19, as novas gerações perderão referências preciosas de educação e civismo úteis e pacifistas.
Quero ainda acreditar e muito desejo que o convívio social tão deteriorado atualmente, por força do instinto de sobrevivência e fé na ação sobrenatural capaz de operar milagres, possam o mais breve possível, premiar a sociedade organizada com a volta da prática das boas maneiras, etiqueta social, educação, cultura de qualidade e legítimo civismo. Que a minha esperança não seja vã e assim ocorra. Amém!
Vera Tylde






