Por, Vera Tylde
Brasília e Campo Grande, são duas cidades mediterrâneas estrategicamente situadas no interior do Brasil. Logicamente, facilitam o acesso de todos os estados e municípios periféricos à sede dos poderes constituídos,
bem como propiciam efeito emissivo de ações a favor igualmente de todas, tanto as de natureza oficial quanto as de iniciativa privada.
No caso de Mato Grosso do Sul, este intercâmbio de relações institucionais, ultrapassa os territórios nacionais em razão da extensa fronteira com a Bolívia e Paraguai, que permite ao estado uma conexão internacional privilegiada não só via Atlântico, pela região leste, mas brevemente via Pacífico através da rota bioceânica em construção no extremo oeste.
Assim, é preciso de uma vez por todas que os pronunciamentos públicos e os órgãos de comunicação atentem para a frase exaustivamente usada, cujo sentido literal não se aplica as referências comuns sobre os demais municípios do estado, além de Campo Grande. Diferentemente do município da capital a maioria não pode ser considerada interior pois faz fronteiras ou é equidistante de outros estados da federação como: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, ou ainda com dois países Sul-americanos: Bolívia e Paraguai.
Ao pé da letra, são mais do exterior do que interior geograficamente falando. A repetição desta frase, é sem dúvida um resquício da época em que a capital do país estava situada no Rio de Janeiro e todo o restante do território
pátrio, considerado interior do Brasil. Até hoje apesar do realce do agro negócio e do avanço das comunicações e transportes, o Brasil central não é considerado devidamente pelos estados litorâneos. Confundem MS com MT,
ignoram o potencial do país oriundo do centro-oeste, continuam de olhos voltados para o exterior, via oceano Atlântico. Está na hora de corrigirmos este vício de linguagem. Com toda justiça nos referirmos aos demais municípios de MS e não os chamarmos de municípios do interior, além de sua capital, esta sim interiorana, mas com localização estratégica política e econômica reconhecidamente promissora, atrativa. Bem como os demais municípios do estado, desde seus recursos naturais, potencial produtivo e recursos humanos, que muito têm contribuído com produtos e serviços para atender demandas nacionais e internacionais. Corrigir é o primeiro passo para valorizarmos todo o MS, promovermos e divulgarmos suas vantagens comparativas e competitivas em diversos aspectos, sobretudo neste momento de grandes mudanças globais, nacionais, pessoais, resultantes da pandemia que nos atingiu com irreversíveis consequências planetárias.






