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O fenômeno Avatar

O filme que mais arrecadou na história impressionou por vários motivos, mas não está livre de defeitos. Em 2022, deve vir sua continuação

Por Reinaldo Adri

James Cameron conseguiu entrar de vez na história do cinema ao dirigir Titanic, um filme ganhador de 11 Oscars e que se manteve como a maior bilheteria de todos os tempos por mais de 13 anos. Depois disso, o diretor se dedicou a projetos menores como o documentário em que revelava um suposto túmulo em Jerusalém onde estaria sepultado Jesus Cristo, o que, logicamente, não recebeu muita atenção por contrariar milênios de crenças e fé. Em 2009, o diretor voltou à cena com o lançamento de Avatar, filme que acaba de superou seu longa-metragem anterior como a obra cinematográfica mais rentável, batendo a impressionante 2,8 bilhões de dólares faturados pelos cinemas do mundo. Em 2019, seu recorde foi quebrado por Vingadores: Ultimato, grande projeto da Marvel. Mas, com um novo lançamento nos cinemas da China em 2021, Avatar recuperou a liderança histórica.

Avatar lotou as salas de projeção onde foi exibido por um simples motivo: é o típico filme que só tem graça se visto na telona. A possibilidade de ver cenas repletas de ação em três dimensões é fascinante, o que não seria possível na TV – pelo menos não de maneira satisfatória.

O filme em si também possui suas qualidades, como a estética perfeita de seus cenários construídos em ambiente digital, mas com imensa dose de realismo e efeitos especiais de última geração. É certo, porém, que a temática e o desenvolvimento da trama deixam um pouco a desejar.

A história se passa em Pandora, um planeta de notável beleza habitado pelas mais curiosas espécies como os Navi, uma raça humanóide com cultura e costumes bastante semelhantes aos indígenas da Terra. Lá, Jake Sully, um veterano de guerra paraplégico é designado para uma missão em que deveria se infiltrar entre os Navi (comandando um corpo semelhante ao dos humanóides) para convencê-los a deixar o local onde vivem e possibilitar assim a exploração de um metal valiosíssimo disponível naquele lugar.

Não é preciso raciocinar muito para perceber que a ideia de Cameron era estabelecer um paralelo com o que foi feito durante a conquista da América e os diversos holocaustos indígenas acontecidos no Brasil, Peru, México e, principalmente, nos EUA durante a corrida para o oeste. O diretor, então, evidencia a discussão ética se seria justo exterminar os Navi apenas por eles serem diferentes de nós e possuírem sua própria religião baseada no equilíbrio da natureza. Poderíamos usurpar a terra deles apenas para suprir nosso interesse econômico?

Infelizmente, para fazer a reflexão necessária sobre o certo e o errado, Cameron se entrega a clichês típicos de filmes infantis (a classificação de Avatar é 12 anos). Desde os primeiros minutos, fica claro que certas coisas irão acontecer (se você não assistiu ao filme e ainda pretende vê-lo não continue lendo): o herói se apaixonará por uma Navi, despertando a inveja daquele que deveria se casar com ela e, em pouco tempo, se descobrirá que ele é um grande guerreiro responsável por liderar os humanóides contra a conquista dos terráqueos.

Após uma incrível batalha, os humanóides de Pandora – que não possuem o carisma necessário para gerar uma empatia com o público – vencem os humanos e os forçam a uma retirada humilhante para seu castigado planeta de origem, que já não possui recursos naturais suficientes (entra aí a mensagem ambiental do filme). A princípio, não parece que houve uma lição aprendida, mas sim a perspectiva de que a guerra deveria continuar com uma nova investida depois de algum tempo. 13 anos mais tarde, parece que finalmente veremos esta continuação em 2022.  Os questionamentos sobre a qualidade da obra original, no entanto, trazem dúvidas sobre se o sucesso será o mesmo.

Dê: Agência Brasil/ Foto: Divulgação